Título: Os Dragões de J.R.R. Tolkien
Tipo: Estudo
Autora: Ariadne "Idril" Rodrigues
Nota: Texto originalmente produzido para a Sociedade do Pastel
Na literatura fantástica, a presença de uma criatura fascinante é quase obrigatória. Muitas vezes aparece um só, outras aparecem vários. Estou falando de dragões, criaturas mitológicas que despertam o senso criativo de vários escritores e de seus respectivos leitores.
Tolkien não ficou atrás e trouxe para o seu mundo esses seres míticos também. Era de se esperar que isso fosse feito, uma vez que a obra do Professor é quase que inteiramente influenciada pela Era Medieval e sua mitologia.
Existem dois tipos de dragão: o dragão europeu e o dragão asiático. Ambos são diferentes em características tanto de personalidade quando físicas. No caso de Tolkien, existem três tipos de dragões: aqueles que eram como grandes serpentes e que rastejavam, os que caminhavam sobre pernas e os que voavam, dotados de asas como as do morcego. Dessas raças havia dois tipos: os Dragões Gelados, que lutavam com presas e garras, e os
Urulóque ou Dragões Ígneos, que soltavam chamas pela boca.
1 – Dragão Europeu & TolkienGrandes feras aladas, que voavam como morcegos., além de soltarem chamas pela boca e que possuíam escamas duras como ferro; também eram dotados de uma visão e audição extremamente aguçadas. Assim eram os dragões europeus e dois tipos de dragões que Morgoth, supremo ser maligno do mundo tolkieniano, criou: os dragões quee somente caminhava, e não possuíam poder de Võo, Dragões Alados e os Urolóque. Aqui percebe-se que, fisicamente, Tolkien resolveu repartir os seus dragões baseados no modelo europeu em várias “raças”.
Fisicamente, Glaurung está entre os dragões sem poder de Vôo e , acima de tudo, pertence aos Urulóque, pois tinha uma grande capacidade de incendiar mediante um potente sopro. Ancalagon é o primeiro dragão alado a surgir e pertence aos Dragões Gelados. Scatha, o Verme, é também da espécie de Dragões Gelados . Por fim, Smaug figura entre as criaturas aladas e entre os dragões ígneos (urolóque).
Os dragões europeus também sempre foram vistos como criaturas malignas, embora existam excessões. Freqüentemente, aparecem em histórias como grandes criaturas que destruiam cidades e castelos, adoravam ouro e possuíam tesouros secretos, mas que no final das contas , eram sempre mortos por algum grande herói. Apesar deste instinto voraz, os dragões eram seres mágicos e dotados de inteligência e sabedoria e é neste ponto onde encontramos algumas excessões; estas são justamente os sábios dragões, respeitados e temidos, freqüentemente procurados para dar respostas e ajuda. Dragões eram antigas serpentes, e, portanto eram criaturas de enorme esperteza e conhecimento; os dragões de Tolkien e também alguns dragões europeus, eram sem sabedoria, pois sua inteligência era obscurecida por sua soberba, gula, cobiça, falácia e fúria. Podemos ver essas características de personalidade presentes nos principais dragões de Tolkien:
Glaurung era um ser temido por toda Beleriand, devastou Nargothrond inteira, tomando todas as suas riquezas para sí, enfeitiçou Nienor e algum tempo depois acabara sendo morto por Túrin Turambar. Mas antes de morrer, Glaurung demonstra sua sabedoria e astúcia de “serpente” ao confessar para Túrin que Nienor é sua irmã, o que leva Túrin a loucura por Ter cometido incesto sem saber.
Ancalagon foi o mais importante dos dragões alados (e do Gelo) a parecer. Devastou o exército do Ocidente na Grande Batalha e a Guerra da Ira no final da Primeira Era do Sol. Foi orto por Ëarendil, que o arremessou dos céus, deixando essa terrível fera cair sob as Thangorodrin, deixando-as em ruínas.
Scatha foi um dos dragões gelados a surgirem na Terra-média, atormentando a vida dos anões das Montanhas Cinzentas, pois cobiçava o tesouro desse povo. Tal pavor este dragão causava que, aterrorizados, os anões fugiram de seus lares. Porém um guerriro humano fico e este era Fram, filho de Frumgar, comandante da Éothéd, e Scatha foi morto por suas mãos. Porém, foi apenas um alívio temporário , pois logo em seguida muitos Dragões Gelados voltaram às Montanhas Cinzentas.
Smaug era um grande inimigo dos anões. Em “o Hobbit” ele é o grande vilão. E é justamente em Smaug onde podemos ver todas as características de um dragão europeu: o dragão de “O Hobbit” devastara a cidade dos anões de Erebor e pegara todo o tesouro da cidade para sí. Smaug, além de poderoso e temido, também era sábio e isso é facilmente retratado em seu diálogo com o hobbit Bilbo Bolseiro.
Deixando a personalidade de lado, vamos estudar o habitat preferido de um dragão europeu. Dragões, segundo as lendas européias, buscam uma morada segura e, se possível, próxima a alguma cidade. Essa morada é preferencialmente uma caverna segura, perto de um Pântano ou rio. A escuridão também era uma preferência que eles tinham em relação ao luz do dia. Os dragões procuram esse tipo de moradia tanto para se protegerem quanto para protegerem o seu tesouro proveniente de saques a cidades. Há também aqueles que preferem habitar grandes cavernas próximas do mar.
E quais semelhanças encontramos com os dragões de Tolkien? Smaug , Glaurung e Scatha devastaram grandes cidades subterrâneas e, por estas oferecem uma grande segurança , escolheram habitar alí mesmo. Tanto Erebor quanto Nargothrond ficavam muito próximas de algum rio (Rio Corrente, Erebor; Nargothrond; Rio Narog). Porém aqui encontramos uma contradição com a obra de Tolkien: embora no caso de Glaurung e Smaug apareçam cidades próximas a um rio ou lago, os dragões de Tolkien temiam a água por terem sido criados a partir de elementos de fogo e bruxaria.
2 – Dragões Asiáticos e TolkienAo contrário de seu primo europeu, o dragão asiático geralmente não é perverso, muito pelo contrário! Vivem em paz com os mortais, além de ser considerado um dos quatro animais que ajudaram na criação do mundo e não Ter rivais no quesito sabedoria e nem em poder para conceder benção. Apesar dessa magnitude toda, o dragão asiático possuía inúmeras fobias, como a bizarra fobia do medo.
Fisicamente, difere um pouco do dragão europeu, pois tem forma de serpente – e assim como o dragão europeu, é alado e possue garras; quanto aos chifres, nem todo dragão europeu apresentava essa característica.
Segundo Tolkien, Morgoth criou várias espécies de dragões. Um deles é muito semelhante ao modelo asiático, pelo menos fisicamente (rastejavam e eram em forma de serpente). Sobre esta espécie, pouco se sabe.
No quesito personalidade, creio que há um equívoco ao falar que todos os dragões que O Professor criou não sejam dotados de sabedoria. Tanto Smaug quanto Glaurung aparentam contradizer este fato, afirmado por muitos estudiosos. Pode ser que quanto a sabedoria, estes dois temídos dragões se assemelhem mais ao modelo asiático do que àquelas excessões sábias que encontramos no padrão europeu.
FONTES DE ESTUDO LINKS RECOMENDADOS:
Silmarillion, O – J.R.R.Tolkien, publicado no Brasil pela Martins Fontes
Hobbit, O – J.R.R.Tolkien, publicado no Brasil pela Martins Fontes
http://www.kairell.donagh.nom.br/dragon.htmhttp://www.duvendor.hpg.ig.com.br/Racas/Dragoes/Dragoes_Historia_1.htmhttp://www.duvendor.hpg.ig.com.br/Biografias/Glaurung/Glaurung_Biografia.htm