Autor Tópico: Mesa Redonda #2: A questão dos maus-tratos a animais  (Lida 3134 vezes)

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Offline Alassë

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Mesa Redonda #2: A questão dos maus-tratos a animais
« em: Abril 23, 2011, 06:20:31 »
Eu vou preparar um texto melhor pra abrir o tópico, mas já quero começar a discussão.

Esse é um assunto que sempre me deixa bastante nervosa e até emotiva (acreditem, isso é raro). Apesar de toda informação que existe por aí, tentativas de conscientização, aumento da quantidade e da divulgação de ONGs e Sociedades Protetoras, o número de animais abandonados por capricho/motivos fúteis ou simplesmente maltratados sem nenhum remorso só aumenta.

Pra ilustrar, a notícia que foi a gota d'água no meu espírito ontem, que me fez pensar em como abrir a discussão aqui:


SC: boi invade hotel para fugir de farristas e assusta hóspedes

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A farra do boi, uma tradição de descendentes açorianos, é proibida por lei por caracterizar maus-tratos aos animais. Os praticantes flagrados podem estar sujeitos a uma pena de até um ano de cadeia. Na brincadeira, o animal é solto nas ruas para que os farristas o levem à morte por exaustão.

QUAL É O PROBLEMA COM A DITA "HUMANIDADE"????? Matar um animal literalmente de cansaço, por simples divertimento? Como no mundo alguém consegue fazer isso e não se sentir mal (nesse caso, pelo visto, muito pelo contrário)?

Será que as leis ainda são brandas demais? Na minha opinião, pena de ATÉ um ano de cadeia é ridículo de pouco.

Se o abandono nas ruas, no caso de cães e gatos, já é horrível, o que dizer de um "dono" que abandona seu eterno amigo fiel num terreno, numa casa fechada, num automóvel, por DIAS, sem água, comida, carinho?

Li outro dia a notícia de uma cachorrinha filhote, mestiça de poodle, recém abandonada nas ruas que teve sua perna CORTADA (não sei com qual instrumento), decepada a sangue-frio por um "ser humano" que quis se divertir. Um filhote perfeito, saudável, que só não morreu porque voluntárias de uma ONG a socorreram a tempo de ser feita uma amputação cirúrgica profissional. Agora ela se recupera bem, mas com somente suas 3 patinhas.

Eu poderia ficar citando milhares de casos absurdos, chocantes, mas não é a intenção do tópico. Não tem como querer tentar explicar nenhuma dessas atrocidades cometidas contra seres inocentes e indefesos, que, pior de tudo, CONFIAM em nós. Minha intenção é debater o que acham disso tudo.
As leis são ineficazes? As penas, muito brandas? Não deveríamos dar tanta atenção a esses casos quando existem milhões de crianças igualmente sofrendo abusos e maus-tratos?

O tema é amplo, eu não sei que direção dar a ele agora, então vamos indo pelos comentários, impressões e opiniões do pessoal.

Offline Idril

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Re: Mesa Redonda #2: A questão dos maus-tratos a animais
« Responder #1 em: Junho 12, 2011, 11:58:52 »
Fico abismada como um tópico deste fica ao léu.  :mah:

Vamos lá!


A humanidade funciona basicamente da seguinte forma, sem basear-se em conceitos religiosos ou conhecimentos científicos: matar um animal é cool, é permitido, que mal tem? Ele não sente nada mesmo e veio ao mundo para ser vir a vontade do ser humano.

É uma linha de pensamento muito cruel, muito fechada e muito, mas muito ignorante. É a mesma linha de pensamento daqueles que falam que "homossexualidade é errado porque Deus criou Adão e Eva". Sacou?

Enquanto a maioria continuar com esse pensamento deturpado de que tudo que está na face da Terra foi criado com o propósito de servir a uma única raça, a dita raça superior, continuaremos a ter farras do boi, brigas de galo, rinhas de cães, touradas, rodeios e outras formas de exploração animal.


Quanto a leis, já parte pra outro lado: a prioridade do ser humano é o ser humano, logo leis de proteção aos animais sempre ficam em segundo plano mesmo quando algumas dessas leis possuem pontos e urgências que afetam diretamente a vida humana.
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Offline Alassë

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Re: Mesa Redonda #2: A questão dos maus-tratos a animais
« Responder #2 em: Junho 12, 2011, 12:58:51 »
Sem discutir por ora a forma como é feita, a morte de animais para servir ao ser humano pode até ser relevada (mas só pra comentar, existem pesquisas e inúmeras tentativas de grupos não-radicais em prol da morte digna de animais de abate). O negócio é o matar pelo matar. Matar porque acha divertido ver morrer. Mutilar sem ter peso na consciência (muito pelo contrário). É essa parte que posso chamar de tortura que eu não consigo admitir.

E, além disso, o abandono em si ou os maus-tratos. Você deixar sem comida ou água, no frio e na chuva, um ser que te considera a pessoa mais importante, incondicionalmente, não importa o quanto você o ignore... não consigo conceber, mesmo.

Eu acho que as leis são muito suaves nesse aspecto. Talvez se houvesse maior fiscalização e as penas fossem pesadas (talvez não necessariamente mais tempo de prisão, mas uma multa BEM generosa, além de trabalhos comunitários, de preferência em centros de zoonoses) houvesse mais receio de se cometer esse tipo de atrocidade? Porque não é dizer que a "recompensa" vale o crime, como o tráfico, roubos em geral, seqüestros-relâmpago, etc.. Ao menos eu espero que não. Senão passamos à psicopatia.

Offline Idril

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Re: Mesa Redonda #2: A questão dos maus-tratos a animais
« Responder #3 em: Junho 12, 2011, 01:48:29 »
Sem discutir por ora a forma como é feita, a morte de animais para servir ao ser humano pode até ser relevada (mas só pra comentar, existem pesquisas e inúmeras tentativas de grupos não-radicais em prol da morte digna de animais de abate). O negócio é o matar pelo matar. Matar porque acha divertido ver morrer. Mutilar sem ter peso na consciência (muito pelo contrário). É essa parte que posso chamar de tortura que eu não consigo admitir.

Então, o que eu quis dizer foi exatamente isso: enquanto o ser humano continuar pensando que os animais estão aqui para nos servir e só, vão continuar essas barbáries. Torturas por prazer também seguem, em boa parte, a mesma linha de pensamento: ou você acha que o prazer em se sentir superior tem a ver com o que?


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E, além disso, o abandono em si ou os maus-tratos. Você deixar sem comida ou água, no frio e na chuva, um ser que te considera a pessoa mais importante, incondicionalmente, não importa o quanto você o ignore... não consigo conceber, mesmo.

Se nós fazemos o mesmo com a nossa espécie, por que seria diferente com animais?

Não tô sendo fria, tô analisando pela ótica cruel da mente humana mais podre que há: matamos a nós mesmos, abandonamos nossas "crias" em latas de lixo ou a utilizamos em seitas. Então, não espanta tanto a crueldade com animais se pegarmos o assunto por este aspecto uó - e é justamente ele que coloca um pouco de compreensão na cabeça de quem não entende como um humano pode ser cruel com outra espécie animal.

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Eu acho que as leis são muito suaves nesse aspecto. Talvez se houvesse maior fiscalização e as penas fossem pesadas (talvez não necessariamente mais tempo de prisão, mas uma multa BEM generosa, além de trabalhos comunitários, de preferência em centros de zoonoses) houvesse mais receio de se cometer esse tipo de atrocidade? Porque não é dizer que a "recompensa" vale o crime, como o tráfico, roubos em geral, seqüestros-relâmpago, etc.. Ao menos eu espero que não. Senão passamos à psicopatia.

Pedir mais fiscalização é ser um pouco ufanista, pois conforme eu já disse: o ser humano preocupa-se muito mais com o seu próprio umbigo do que com o das outras espécies animais. E mesmo que ele ame os animais, os respeite e os queira bem, ele vê-se naquele paradigma biológico e ético que colocam ele - a se preocupar sempre e quase exclusivamente com sua raça.

O fato é que, infelizmente, o ser humano preocupa-se inicialmente com ele próprio. Depois é que passa a pensar nos outros.

No fundo, o ser humano é dotado de compaixão, de amor, de sentimentos bons. Mas com o tempo fica amargo e vai saber o real motivo do prazer em torturar um animal, o que o motiva a isso - muitos psicopatas, muitos serial killers matavam animais e sentiam prazer nisso antes de matarem pessoas, só como curiosidade.
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Offline Alassë

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Re: Mesa Redonda #2: A questão dos maus-tratos a animais
« Responder #4 em: Junho 12, 2011, 01:57:24 »
É, nesses aspectos só tenho que concordar. E quando vejo essas coisas fico muito infeliz de saber que pertenço à mesma espécie.

Outra coisa que me deixa fula: nos sites de algumas ongs ou em notícias a respeito de adoção, tratamento de animais em situação de risco, etc. vira e mexe aparece um retardado hipócrita reclamando que não deveríamos nos preocupar com bichos enquanto há pessoas/crianças abandonadas e maltratadas. Aposto que nem uma peça de roupa essas pessoas doam nas campanhas do agasalho e vêm querer boicotar/reclamar de quem faz algo de bom pra esse mundo?

Se pensamento negativo matasse...

Offline Alassë

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Re: Mesa Redonda #2: A questão dos maus-tratos a animais
« Responder #5 em: Agosto 22, 2011, 06:13:41 »
E eis mais um exemplo de porque o ser humano merece ser extinto - e depressa. Notícia divulgada no site da Folha, e compartilhada pela Idril:

Bezerro é sacrificado após prova na arena de Barretos

Não dá pra ficar conformado que esse tipo de coisa exista. É um bebê, por Eru!!!

Offline Lady BlaBla

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Re: Mesa Redonda #2: A questão dos maus-tratos a animais
« Responder #6 em: Agosto 22, 2011, 09:20:18 »
Justificaria somente se tivesse ficado paraplégico mesmo. Manter um animal nessas condições, ainda mais um bezerro é pior que deixá-lo vivo. Ninguém mantém cavalo ou bois nessas condições  - muito antigamente, abandonavam o animal a sua sorte, o que na minha honesta opinião é muito mais cruel que sacrificar.

Acho que os pontos da notícia que justificam qualquer revolta, incluindo da minha parte,  seriam:

1 - Rodeios ainda existem, apesar de criarem uma série de maus tratos aos animais envolvidos no evento. E existem porque movimentam a economia dos locais aonde ocorrem - e tais eventos não deixarão de existir tão cedo, pois isto daqui é Brasil;

2 - O animal ficou tetraplégico ainda jovem, graças a uma "manobra" de um "peão" durante uma prova. E há quem aplauda - voltamos a Roma antiga, as gladiaturas entre homens e animais selvagens (com a diferença de que um bezerro não reage com a mesma voracidade, se é que reage de alguma forma, as provocações e golpes do peão);

3 - Os desencontros de informações médicas e atitudes bruscas é que chama muito mais a atenção do que sacrificarem o animal. O veterinário disse que o animal estava bom, mas daí um organizador (isso mesmo?) disse que não estava, que pelo que viu percebeu que o animal ficara tetraplégico. Nesse desencontro todo, sacrificaram o bezerro e depois "surgiu" um relatório médico confirmando o que um organizador disse;

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Offline Alassë

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Re: Mesa Redonda #2: A questão dos maus-tratos a animais
« Responder #7 em: Agosto 22, 2011, 02:15:28 »
Claro, depois que o bicho ficou incapacitado, claro que o "ideal" é sacrificar.

A revolta é, como você bem pontuou, pelos motivos do sacrifício ter sido necessário. Eu odeio rodeios, touradas, festas do boi e similares, entretenimento para selvagens que sentem prazer com a dor dos pobres animais. Mas não sabia que existia essa "categoria pra machão", em que um viril exemplar da nossa espécie (puá!) imobiliza um bebê indefeso. Cada vez me dá mais nojo essa espécie humana.