Autor Tópico: [Batismo #2] Mês do Orgulho Gay e da Consciência Homossexual  (Lida 7369 vezes)

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Offline Lady BlaBla

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Esse batismo chega com um atraso de quase um mês. Mil desculpinhas, beeshas!  :gagaetc:

Já passamos a maior Parada do Orgulho LGBT do mundo, ou seja, a de São Paulo. Junho é o Mês do Orgulho Gay em vários países e hoje, dia 28 de junho, é o Dia do Orgulho Gay e Da Consciência Homossexual.

Vocês também vão descobrir fatos curiosos, alegres e outros tristes. A história LGBT é rica em cultura, não é só aquele carnaval (que já foi muito pior) a cada Parada Gay: o público LGBT possui uma cultura tão grande e que não se resume somente aos "guetos em boates gays" ou a "toda a discografia da Cher, Madonna e Lady Gaga".

Vamos lá porque o tema é um arraso, grande e sinto que "todas chora" caso eu não o escreva e publique ainda hoje!

 :paws:



Por Que "Mês Do Orgulho Gay"? Por que dia 28 de junho é o Dia Gay?

Tudo começou por causa do incidente de Stonewall Inn, Nova York, que aconteceu em (aham aham) 28 junho de 1969.

A Rebelião de Stonewall  foi uma série de conflitos entre LGBTTs e a polícia de Nova York, que tiveram como palco o bar Stonewall Inn e as ruas das redondezas do bar. O evento tem tamanha importância porque foi a primeira vez que um grande grupo da comunidade LGBTT juntou-se para protestar contra os maus tratos sofridos por policias, sendo então considerado o precursor de todos os movimentos em defesa dos LGBTTs pelo mundo afora.
O lado engraçado da situação: o mês já é considerado como sendo um mês gay, mas provavelmente devido a pressões de cidadãos homossexuais, personalidades públicas e arrisco que as eleições presidenciais vindouras nos EUA, obrigaram Barack Obama, evangélico assumido, a oficilaizar o mês lá no seu país através de um decreto assinado neste ano. Bom, se ele usou a comuidade LGBTT como gancho na sua vitoriosa campanha para presidente, não duvido que vá usar novamente nas reeleições...


O que é LGBTTT?

LGBTTTIS significa:

L = Lésbicas
G = Gays
B = Bissexuais
T = Travestis
T = Transexuais
T = Transgêneros
I = Interssexuais
S = SImpatizantes

A sigla tem pequenas variações em alguns países, mas em geral é isso em todo o mundo.

O termo atual é uma digievolução do antigo e ultrapassado GLS. Para entender essa digievolução, vamos lá:

GLS significa gays, Lésbicas e Simpatizantes. Com o crescimento da visibilidade homossexual e da luta, a sigla foi alterada para GLBS, ou seja, Gays, Lésbicas, Bissexuais e Simpatizantes. Pouca coisa depois, integraram os transgêneros no nome e ficou GLBTS.

Essa sigla durou pouco tempo, pois o movimento lésbico começou a ganhar e necessitar de maior visibilidade e sensibilidade dentro da comunidade. Daí a digievolução para LGBTS, aonde somente foi invertida a ordem do G com o L.

E por fim, LGBTTIS, a sigla final e gigante, que inclui todos os gêneros.


As Orientações: Entendendo Cada uma Delas

Primeiramente, um recado as pessoas que faltaram nas aulas de ciência e biologia: existe uma espécia humana somente, com dois gêneros somente: o masculino e o feminino. Não existe terceiro sexo, :porra: !

Esclarecido isso, vamos explicar cada um dos trocentos ítens da sigla LGBTTTIS.

Lésbicas são mulheres homossexuais que sentem atração física e emocional por mulheres.

Gays são homens homossexuais que sentem atração física e emocional por homens.

Bissexuais são homens e mulheres que curtem as duas coisas.


Travestis estão associados ao ato ou efeito de travestir-se, ou seja, de vestir-se ou disfaçar-se com roupas do sexo oposto. Inclusive há adoção de maneiras femininas quando o travestimos é masculino. Os travestis vivem uma parte significativa do dia ou mesmo o dia-a-dia como se fossem do sexo oposto. Além de se travestirem com roupas do sexo oposto é comum a utilização de um nome social, corte de cabelo, adoção de modos e de timbre de voz consoantes com o sexo almejado. Exemplos de Travestis: Yasmin Lee e Rogéria (sim, ela é travesti e não transexual).

Rogéria!
Transexuais são indivíduos que possuem uma identidade de gênero diferente a designada no nascimento, tendo o desejo de viver e ser aceito como sendo do sexo oposto. A grande maioria realiza a troca de sexo atráves do uso de hormônios e cirurgias. Exemplos de Transexuais: Ariadna (Ex-BBB), Roberta Close e a filha da Cher (transexual feminino para masculino).

Ariadna, Ex-BBB: um belo exemplo de transexual.

Transgêneros refere-se à condição cuja expressão de gênero não corresponde ao papel social atribuído ao gênero designado para elas no nascimento. Mais recentemente o termo também têm sido utilizado para definir pessoas que estão constantemente em trânsito entre um gênero e outro. Engloba um monte de grupos: travestis, transexuais, transformistas, crossdressers, bonecas, drag queens, drag kings, andrógenos, dentre outros.

Um travesti é frequentemente confundido com Drag Queen, porém são diferentes: Uma Drag Queen é uma artistaa performática que se traveste, fantasiando-se cômica ou exageradamente com o intuito geralmente profissional artístico.
Exemplos de Drag Queens: Léo Aquilla, Dimmy Kier (ou Dicésar), Silvetty Montilla, Salette Campari.
Parada de San Francisco, 1976: belas Drags Queen arrasando!
Intersexuais são pessoas nascidas com genitália e/ou características sexuais secundárias que fogem dos padrões socialmente determinados para os sexos masculino ou feminino, tendo parcial ou completamente desenvolvidos ambos os órgãos sexuais, ou um predominando sobre o outro.

E Simpatizantes são todos os heterossexuais, assexuados, ETs e qualquer outro grupo que não se encaixa nos LGBTTI mas que compartilham a luta da Causa LGBT.


Simbolos LGBTTs

* Enquanto eu jogava as imagens no servidor do Tinypic, eis que surgiu uma propaganda com o Restart.* #EPICWIN

Muitos aqui conhecem a Bandeira do Arco-Íris, né. Pois então, ela é o símbolo supremo que representa a diversidade LGBTT, mas além dela existem outros símbolos carregados de história.


Bandeira Arco-íris



Foi na San Francisco Gay Freedom Day Parade, em 25/06/1978, que a bandeira foi utilizada pela primeira vez com a intenção de simbolizar o orgulho gay. A primeira versão desta bandeira foi criada por Gilbert Baker, continha mais duas barras que a versão atual (uma rosa-salmão e outra turquesa). A barra salmão foi abandonada devido a dificuldade em encontrar tecido desta cor para confeccionar as bandeiras e, mais tarde, a turquesa saiu por questões estéticas.

Cada uma das seis cores tem o seu significado e claro, titia BlaBla vai falar deles agora:

Vermelho: Luz;
Laranja: Cura;
Amarelo: Sol;
Verde: Calma;
Azul: Arte;
Roxo/Lilás: Espírito;

Detalhe: Não existe primeira barra na bandeira: ela pode começar pela barra vermelha ou pela roxa.


Bandeira Bissexual



Existe a Bandeira dos Bissexuais também.

A cuja dita foi desenhada por Michael Page em 1998 para dar à comunidade bissexual o seu próprio símbolo comparável com a bandeira do orgulho gay. O seu objetivo era aumentar a visibilidade dos bissexuais, tanto entre a sociedade como na comunidade LGBT.

A cor magenta representa a atração ao mesmo sexo somente (gay e lésbico). A cor azul real representa a atração sexual ao sexo oposto somente (indivíduo heterossexual). A sobreposição das duas faixas cria uma terceira cor, a cor lavanda, que representa a atração sexual a ambos os sexos.


Bandeira Transgêneros



Feita por Monia Helms, apareceu pela primeira vez na Parada Gay de Phoenix, Arizona, EUA em 2000. A bandeira representa a comunidade de transgêneros e contém cinco tiras horizontais. O azul bebê simboliza garotos, o rosa as garotas e o branco no meio dessas cores representa a transição destes que sentem que possuem um gênero sexual neutro ou nenhum gênero.


Triângulo Rosa



O nome do triângulo rosa é alemão: Winkel. Era um dos símbolos usados nos campos de concentração nazista e indicava quais homens haviam sido capturados por práticas homossexuais.

Acabou sendo adotado com símbolo da causa LGBT, embora menos conhecido e usado que a bandeira arico-íris.


Triângulo Preto



Também vem do nazismo. Era utilizado nos campos de concentração para identificar homens e mulheres anti sociais (e não somente as lésbicas).

Acabou mais tarde sendo adotado como um dos símbolos da causa lésbica.


Labris



Também era usado como cetro pela deusa Demeter, a deusa da Terra, e os rituais associados a deusa envolviam atos lésbicos. Uma teoria sugere que ele poderia ter sido utilizado originalmente na batalha das mulheres guerreiras citas. Outra teoria aponta que o machado é utilizado normalmente em muitas sociedades matriarcais. Existem também informações que o colocam como arma usual nos exércitos de Amazonas através de peças gregas de artesanato. As Amazonas tinham um sistema de duas rainhas e eram conhecidas como guerreiras raivosas e sem piedade nas batalhas, porém justas e corretas quando vencedoras. Atualmente é um dos mais conhecidos símbolos lésbicos.


Lambda



O símbolo foi originalmente escolhido pela Gay Activists Alliance de Nova Iorque em 1970. E é o mais carregado de significados, dos quais citarei alguns:

* O Lambda equivale a nossa letra L e simboloiza "Liberação".
* Os Espartanos acreditavam que o Lambda representava a unidade;
* A energia cobrada do movimento gay. Tem origem da química e física.
* A sinergia que resulta quando gays e lésbicas trabalham em conjunto para um objectivo comum.
* A noção de que gays e heteros ou gays e lésbicas, ou qualquer emparelhamento destes três, estão em diferentes comprimentos de onda quando se trata de sexo, sexualidade, ou até mesmo padrões do cérebro. Isso de novo vem da presença do lambda na química e física, onde às vezes é usado para representar o comprimento de onda de certos tipos de energia.


Mão Púrpura



Inspirada na "Mão Negra" (La Mano Nera, em italiano), um dos métodos de extorsão de gangsters e da máfia de Camorra, alguns ativistas tentaram instituir a "Mão Roxa" como um símbolo de gays e lésbicas como um aviso para parar os ataques anti-gay, mas com pouco sucesso.


A Causa LGBTT
A Causa LGBT visa adquirir direitos e igualdade para todos os homossexuais, bissexuais e transgêneros mundo afora. E os direitos vão desde coisas simples, como ter estabilidade no trabalho sem medo de ser demitido devido sua orientação sexual, até mais alarmantes, como parar com os assassinatos a LGBTs em vários países.

Como toda causa, há eventos de todos os tipos: passeatas, marchas, feiras, oficinas e as tão famosas Paradas. São nesses eventos que nota-se bem que a "minoria" LGBT não é tão minoria assim; são nesses eventos que as reivindicações vem a tona e algumas mudam de acordo com o país, estado ou cidade.

Dentre os objetivos buscados pelos LGBTs mundo afora, podemos citar: o casamento civil, o direito de adoção, a proteção do Estado contra atos de violência moral e física devido a orientação sexual, criminalização da homofobia - e no caso do Brasil, também há questões como direito de doar sangue, que continua sendo proibida pela ANVISA. Obviamente, acima disto tudo está a busca pelo respeito e por uma qualidade de vida melhor.

A Causa LGBT conta com o apoio de Ativistas famosos ou não, que levam a mensagem pró-LGBT através de seus trabalhos e fora dele também. Dentre os famosos, temos: Lady Gaga, Sharon Stone, Ellen DeGeneres, Cyndi Lauper, Eric McCormack, Amanda Palmer,  Elke Maravilha, Preta Gil, Jean Willys, Marta Suplicy, Vange Leonel e a lista vai longe.


Homofobia

A homofobia é o ato de repúdio a homossexuais. Pode ser desde uma agressão moral até uma agressão física.

Há um dia internacional dedicado ao combate deste ato, dia 17 de maio de cada ano. Porém, o combate a homofobia, assim como o combate a qualquer tipo de discriminação e preconceito, deve acontecer todos os dias.

O Brasil já foi tido como o país mais homofóbico do mundo e talvez seja mesmo: no compasso que vemos uma notícia de assassinato ou agressão física ou moral a um LGBT, vemos o nosso Senado virar uma sala de 5ª Série por conta de qualquer projeto de lei que envolva os homossexuais e qualquer outra minoria.

Homofobia não é somente bater num homossexual pelo fato dele ser homossexual: é demitir um funcionário por ele ser gay, é não atender aquele casal de lésbicas no bar porque elas são lésbicas, é proibir ou coibir demonstração de afeto homoafetivo em público (no estado de SP tal atitude é passível de processo), é cobrar mais caro de gays num hotel ou qualquer outro lugar por qualquer motivo que seja, é deixar de ser amigo de fulana porque ela gosta de meninas, é aparecer em público falando um monte de asneiras infundadas acerca da homossexualidade e dos homossexuais...


Eventos LGBT

Em Junho há de tudo, porém as Paradas Gays são os eventos mais conhecidos, embora não sejam eventos exclusivos do mês.

Interessante é observar que as Paradas possuem formatos diferentes de acordo com cada país e cultura: nos EUA, a de San Francisco assemelha-se um pouco aqueles desfiles militares; a de Sâo Paulo parece carnaval em Salvador com um monte de gente seguindo trios elétricos; a Europride, em Roma, parece um grande show a céu aberto.

A idéia inicial de uma Parada é celebrar o orgulho de ser homossexual e as conquistas adquiridas até então. Porém, o evento também tem caráter político para reivindicar por direitos ainda não conquistados, protestar contra o que estiver errado e por aí vai.

Vou apresentar somente algumas das principais Paradas do mundo afora, senão terei que criar trocentos batismos culturais para falar de cada Parada Gay que existe no mundo.


San Francisco Pride
Onde: San Francisco, EUA
Quando: Junho
Site: http://sfpride.org

A San Francisco Pride, que ocorre anualmente em San Francisco, EUA, já foi a maior Parada Gay do mundo. É considerada uma das melhores e mais importantes do mundo e, diga-se de passagem, tem uma enorme importância histórica para a comunidade LGBT: é uma das mais antigas, ocorrendo desde 1976.
Vista aérea de parte da Parada, em 2010: não dá pra ver direito quantas pessoas atrai, porém dá pra notar como é a organização e como funciona o desfile.

Parada do Orgulho LGBTT de São Paulo
Onde: São Paulo, SP, Brasil - Avenida Paulista
Quando: Junho
Site: http://www.paradasp.org.br

Em São Paulo ocorre a maior Parada Gay do mundo. Cerca de 3 milhões de pessoas comparecem a Avenida Paulista: trios elétricos com música eletrônica, muitas cores, campanhas de conscientização voltadas para o público LGBT e sempre um tema em destaque. O evento atrai turistas do mundo todo para a cidade e de uns anos pra cá, ganhou um tom mais carnavalesco do que político.

Há uma série de eventos oficiais organizados pela APOLGBT durante todo o mês de junho, mas que se intensificam na semana da Parada: a já cultuada Feirinha LGBT, no Vale do Anhangabaú e a Marcha Lésbica, no sábado, na Avenida Paulista, são dois dos eventos mais conhecidos que antecedem a Parada LGBT.

MASP,  em 2007: 3 milhões de pessoas ocuparam toda a Avenida Paulista.

Europride
Onde: Europa, uma cidade diferente por ano
Quando: Junho
Site: http://www.europride.com

A Europride é itinerante: a cada ano ocorre numa cidade européia diferente. Neste ano, cerca de 500 mil pessoas (outros dizem 1 milhão) compareceram no Circo Máximo, em Roma, para conferir as diversas atrações - com direito a discurso e uma mini performance acústica de Lady Gaga. O evento ocorre desde 1992 e teve início em Londres, Inglaterra.

Europride de 2006, em Londres.

Gay Pride March
Onde: Nova York, EUA
Quando: Junho
Site: http://www.nycpride.org

Na cidade aonde Stonewall fica, ou seja, em Nova York ocorre a Gay Pride March. É a Parada Gay mais velha de todas: ocorre desde 1970! O interessante é que até hoje chama-se Marcha e, segundo os organizadores, continuará chamados-e Marcha e não Parada, até que os direitos de igualdade plena sejam conquistadas pela comunidade LGBT.

Arrisco a dizer que o formato da Gay Pride March de NY é um misto da Parada de San Francisco e da de São Paulo. Há uma série de eventos oficias que antecedem o evento principal, como shows, caminhadas e corrida.

Em 2008, carregando a bandeira do Arco-íris.


 :cabelo:

Bom, é isso tudo aí, gentem! É um tema complexo, cheio de detalhes, mas rico em cultura também.

O tema é gigante, tive que dividí-lo em dois Batismos Culturais, a continuação deste daqui está guardadinha para ser publicada futuramente.

E bateremos cabelo nos próximos batismos, amapoas do meu coração!  :voce:
« Última modificação: Julho 03, 2011, 04:34:36 por Alassë »
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Offline Alassë

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Re: [Batismo # 2] Mês do Orgulho Gay e da Consciência Homossexual
« Responder #1 em: Junho 29, 2011, 01:41:41 »
Quanta coisa  :dizzy: Mas você fez um resumão bem bacana e instrutivo. Em tempos como os atuais, em que esse tema está tão na moda, com todo mundo dando pitaco, é bom quem está meio por fora conhecer um pouquinho do básico, do que significa cada símbolo, cada sigla, pra formar melhor suas opiniões e pra julgar melhor as opiniões que vê por aí.

Ficou muito bem ilustradinho com as imagens todas, parabéns  :D

E eu adoro coisinhas nas cores do arco-íris, como cada um dos subtítulos  :grinlove:

Offline Lady BlaBla

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Re: [Batismo # 2] Mês do Orgulho Gay e da Consciência Homossexual
« Responder #2 em: Junho 30, 2011, 01:05:20 »
E faltou dizer tanta coisa ainda!

Tive que escolher bem os 6 temas a serem mostrados, pra bater com as cores da bandeira LGBT. Se tivessem mais, eu daria meus pulos e faria algo bem colorido. :tanana:

É um tema tão amplo quanto se imagina - e tão legal de ler, pesquisar, escrever e discutir. Que este batismo sirva pra esclarecer pelo menos uma ou duas cabeças perdidas neste mundo e livrá-las do preconceito - se eu conseguir isto com este texto, fico feliz. =]
« Última modificação: Junho 30, 2011, 07:13:11 por Lady BlaBla »
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Offline Lady BlaBla

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Re: [Batismo # 2] Mês do Orgulho Gay e da Consciência Homossexual
« Responder #3 em: Junho 30, 2011, 07:11:41 »
Infelizmente, trago uma má notícia relacionada ao tema: O Coconaro.... ops, Bolsonaro, foi absolvido pelo Conselho de Ética: http://aluizioamorim.blogspot.com/2011/06/conselho-de-etica-rejeita-processo.html
 :ehm:

E uma relacionada a homofobia e ao casal homossexual de Goiânia que teve a união estável anulada uma vez por um juiz bocó: http://liorcino.blogspot.com/2011/06/primeira-familia-gay-registrada-no.html
 :pqp:

ATÉ QUANDO, BRASIL?

QUANDO É QUE TEREMOS A NOSSA STONEWALL?
   :clo04:


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Offline Alassë

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Re: [Batismo # 2] Mês do Orgulho Gay e da Consciência Homossexual
« Responder #4 em: Junho 30, 2011, 04:14:25 »
Sinto que nada mudará de verdade tão cedo, mesmo com aprovação das leis, emendas e etecéteras que estão por aí. Não temos cultura ética, de respeito. Fala-se muito, mas ainda somos muuuuito conservadores, não tem jeito. Me pergunto até quando vai ser assim.  :?

Offline Tilion

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Re: [Batismo # 2] Mês do Orgulho Gay e da Consciência Homossexual
« Responder #5 em: Junho 30, 2011, 04:23:18 »
Morrerei e não terei visto isso mudar.
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Offline Idril

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Re: [Batismo # 2] Mês do Orgulho Gay e da Consciência Homossexual
« Responder #6 em: Junho 30, 2011, 11:39:05 »
Me intrometendo aqui:

Se as pessoas se unirem para mostrarem repúdio a uma idéia que nem aconteceu quando um grupo de 60 Anti-Bolsonaro apareceram pra fazer frente (pacífica) aos 40 Pró-Bolsonaro naquela manifestação tosca em frente ao MASP, em São Paulo, arrisco dizer que as coisas mudariam sim e estão mudando.

O comparecimento de gente Anti-Bolsonaro no protesto Pró-Bolsonaro foi uma atitude meio :"Não vamos nos calar perante a sua intolerância, cansamos de apanhar calados." Aconteceu o mesmo quando houve aquela manifestação caricata no Planalto realizada por gente anti-LGBT e anti-PLC123/2006. É essa atitude que tem que ter, de não ficar sentado, calado e ouvindo a intolerância e ignorância ganhar espaço.

O grande problema de toda a questão LGBT no Brasil é o fundamentalismo e conservadorismo religioso. Não adianta esfregar na cara desta gente, especialmente os que estão em cargos políticos, de que a merda do Estado é laico. Não adianta falar que eles estão pisando na Constituição! Porém, quando apareceu a votação da União Homossexual Estável, essas mesmas pessoas que cospem na Constituição resolveram falar que a União Homossexual é inconstitucional: ou seja, é inconstitucional a partir do momento que fere um interesse particular, né.


EU SOU RICAAAAAAAAAAAAA!!!
:eusourica:

Offline Isabel

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Re: [Batismo #2] Mês do Orgulho Gay e da Consciência Homossexual
« Responder #7 em: Janeiro 06, 2012, 04:36:27 »
Li um post interessante hoje:

O divino direito de falar merda (ou Porque religiosos não entendem nada sobre gays)

O que se pede de um grupo de pessoas que participa de um debate? Quando é descompromissado, um debate pode envolver qualquer pessoa, de qualquer formação ou grau de instrução. Aquele bate-papo de bar, de ponto de ônibus, onde cada um fala o que quer, sem o compromisso nenhum com a veracidade ou a coerência dos argumentos. Mas, o que se pede em um debate técnico, científico?

De acordo com o e zoólogo, etnólogo e evolucionista inglês, Richard Dawkins, nossa sociedade se acostumou, de maneira muito cordial, com que as visões religiosas teriam algum direito automático e indiscutível a uma posição respeitável.

“Se eu quiser que alguém respeite meus pontos de vista sobre política, ciência e arte, terei que conquistar esse respeito por meio da argumentação, da justificação, da eloqüência ou do conhecimento relevante, (…) Porque não há limites para as opiniões religiosas? Por que nós temos que respeitá-las pela simples razão de que elas são religiosas?”, questiona o cientista.

A questão é muito relevante para o atual momento brasileiro. Por que pastores, padres e outros religiosos têm suas opiniões (ou dogmas) religiosas e validadas em áreas como psicologia, psiquiatria, sociologia e direito? Por que eles têm o direito (arduamente conquistado por outros) de debater em temas como direito dos homossexuais, casamento gay, leis contra a homofobia, se eles não tem os conhecimentos exigidos para discutir sobre os assuntos?

Em relação à homossexualidade, as opiniões de religiosos são especialmente levadas a sério. Pastores oferecem ‘curas e conversões’ de orientação sexual, mesmo que a psicologia e a psiquiatria garantam (com embasamento científico) de que orientação sexual é um processo complexo e não é passível de alteração. A Organização Mundial de Saúde, os conselhos federais de Medicina e de Psicologia, além de outras diversas entidades, proíbem tratamentos para mudança de orientação sexual, por não existir NENHUM indício em relação da eficácia dos mesmos, e que eles podem causar danos psicológicos severos.

Por que pastores, padres e outros religiosos têm de participar de mesas redondas, debates e comissões legislativas sobre casamento e união civil entre pessoas do mesmo sexo, se o único argumento e conhecimento para negar estes direitos são bíblicos e teológicos. Se as igrejas não são a favor a uniões entre gays, simplesmente não as celebrem, já que cada religião tem o direito de seguir os dogmas que achem mais convenientes. Mas a crença nestes dogmas não torna um religioso mais competente para discutir direitos constitucionais do que um pedreiro, um mecânico ou um engenheiro químico.

Em um país onde o fundamentalismo e o proselitismo religioso crescem assustadoramente e se enraízam nos espaços de poder, este tipo de intervenção (ignorante, no meu ponto de vista) será cada vez mais freqüente, e precisa ser cada vez mais combatido. O direito das religiões termina quando começam os direitos humanos, e ninguém tem o direito de interferir na vida de outrem por conta de seus preceitos religiosos. A discussão teológica sobre homossexualidade e os direitos dos homossexuais são válidos, mas devem ser considerados APENAS no âmbito teológico, e não, no âmbito legal e político. Afinal, o Irã (graças a deus), é bem longe daqui.
I don't know half of you half as well as I should like; and I like less than half of you half as well as you deserve. (BAGGINS, Bilbo, TA 3001)
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